Lidar com pessoas era um tema que, em geral, nos remetia ao trabalho de gerenciar pessoas no ambiente profissional. Não é mais assim!

O ano de 2020 mostrou essa problemática e 2021 continua corroborando: o home office misturou muitas pessoas, praticamente em um só ambiente – suas casas.

Outro tanto de gente, porém, continua trabalhando presencialmente. As pessoas que trabalham em setores especiais, os chamados serviços essenciais, estão indo para o seu lugar de trabalho usual. Outros setores, no entanto, já começaram a vivenciar um sistema híbrido, onde pessoas da mesma equipe, sob a mesma gestão, trabalham em casa, outras no escritório ou ponto de venda e outras alternando casa e trabalho.

O cenário é de gente por todos os lados fazendo trabalhos diferentes e de jeitos diferentes. Novos produtos, novos serviços e novas funções foram criadas ou realçadas.

Os entregadores em domicílio aumentaram suas cargas horárias para atender quem não deve sair de casa. Os condutores dos meios de transporte, trabalhando para levar ao trabalho quem tem de ir até lá e outros ainda, munidos de suas fardas e credenciais, nas ruas, tentando fazer a segurança de todos, nada fácil, por sinal. Tudo é muito novo para todos e isso nos deixa um tanto perplexos. Alguns paralisam, outros fogem, mesmo que temporariamente, e outros tantos vão à luta. E que luta!

Gestores e líderes têm de se desdobrar e gerar resultados, porque, sem receita que pague todos os custos e sem lucro para continuar investindo, a história a ser contada, seria outra. Essa é ainda outra realidade a ser encarada pelos nossos amigos gestores – as demissões e o aumento do desemprego.

Tenho lido textos sobre gestão e liderança e a sensação que me dá é que as teorias de administração, inclusive as mais contemporâneas, não dão conta do recado. liderança servidora, liderança autêntica, liderança e propósito, liderança por resultados, me soam como palavras distantes da realidade. Não creio que algum líder ou gestor ou pequeno empresário esteja lendo e até aproveitando o que leem.

Como andam os programas de liderança e gestão compostos por workshops em belos hotéis vizinhos? Não andam, é o que percebo nas conversas e pesquisas que tenho feito. O cenário não comporta mais isso. Se tudo é muito incerto e muda muito rapidamente o exercício que se tenta fazer, à frente do mercado e de equipes, é conversar com todos e tentar entregar o que tem para agora e talvez, antever o máximo possível para continuar entregando mais um pouco.

É bem importante lembrar daquele ditado que diz que enquanto alguns choram, outros vendem lenços. Todo esse redemoinho mudou muita coisa de lugar. As empresas que fornecem equipamentos e soluções tecnológicas para as demais viabilizarem seus negócios, por exemplo, estão obtendo seus resultados com mais facilidade. Não quer dizer que estejam tranquilas. A falta de mão de obra especializada também é uma realidade. E não dá tempo de formar no curto prazo. Como podemos ver é muito choro por vários motivos e muito lenço sendo criado a toque de caixa.

Então, como ajudar nossos líderes e gestores a lidar com tudo isso? Penso que o caminho é mais individualizado e/ou nos pequenos grupos. Existem algumas referências por aí.  O Fórum Econômico Mundial destaca 10 competências a serem desenvolvidas para o enfrentamento do século 21. A que diz respeito a liderança foi ampliada para Liderança e Influência Social. Isso quer dizer, não só gerenciar sua empresa, mas também, liderar o mercado, influenciar o cenário e ajudar o governo a encontrar o rumo.

Isso requer muito diálogo. Isso obriga nossos líderes e gestores a serem mais participativos e inclusivos. Ir para fora conversar com todos os setores envolvidos e voltar para dentro de suas empresas e chamar suas equipes para a continuidade da conversa. Participação e inclusão!. Isso se faz com rodas de conversas, com proximidade, mesmo que, por meio, de uma plataforma digital.  

Alguns autores das ciências sociais destacam outras 4 competências importantes a serem desenvolvidas:

  • Pessoal (aprender a ser)
  • Relacional (aprender a conviver)
  • Produtiva (aprender a fazer)
  • Cognitiva (aprender)

Sem dúvida essas quatro competências dão sustentação à Liderança e Influência Social citada acima. E mais uma vez, o desenvolvimento delas envolve muito diálogo, muito trabalho conjunto, em pequenos grupos, com foco e sob medida.

Coaches, consultores, mentores, terapeutas podem ser chamados para organizarem essa conversa. Eles têm como ajudar. Especialmente aqueles bem preparados e desenvolvidos nas mesmas competências requeridas aos demais, pois, também estão sofrendo o mesmo impacto da crise atual. Jung, psiquiatra suíço que viveu até  meados do século 20 dizia mais ou menos assim: você, profissional das relações de ajuda só consegue levar o seu cliente até onde você foi no seu próprio desenvolvimento.