A saúde nunca saiu de cena, mas, o cenário atual de pandemia e de home office permitiu que o tema fosse tratado mais abertamente pelas organizações. Até então, era quase um tabu, principalmente se a questão fosse saúde mental. Hoje, saúde mental, saúde emocional, doenças e emoções, como depressão, ansiedade, stress, medo, raiva, tristeza e cansaço generalizado ocupam espaços dos grandes canais de comunicação, das mídias sociais, live e aulas gratuitas ofertadas por vários especialistas.

As empresas se reorganizaram para colocar o assunto em foco. Algumas aproveitaram suas estruturas anteriores voltadas para qualidade de vida e similares e outras criaram postos, inclusive a de Diretoria de Saúde, como é o caso da Ambev. Isso, sem dúvida é um dos lados que a pandemia propiciou gerou e veio a calhar.

Diversos Programas de Saúde foram criados nas mais diferentes organizações. Muitas colocaram psiquiatras, psicólogos, coachs e profissionais afins à disposição de seus funcionários para consultas e tratamento. Essa atitude é louvável, pois, as pessoas estão doentes mesmo. Nós estamos testemunhando esse quadro quando em contato com nossos clientes.

O assunto não é simples e tratar da saúde e bem estar, requer considerar alguns pilares a serem cuidados, são eles: gestão do stress, qualidade dos relacionamentos, qualidade do sono, atividade física, alimentação saudável e controle da bebida alcoólica e uso de tabaco.  Esses pilares estão interligados. Se um deles for tratado, provavelmente os outros sofrerão algum impacto positivo. E se o mais necessitado de cuidados não for tratado, também os demais sofrem impactos, dessa vez, negativos.  

Vejamos como isso funciona: se você não dormir bem, em torno de 7 ou 8 horas por noite, não vai emagrecer, dizem os médicos especialistas. É fato. Se a qualidade dos relacionamentos não é boa vai aumentar o stress. A prática do exercício físico estimula a adoção de uma dieta mais saudável. A diminuição da bebida alcoólica favorece a qualidade do sono. E assim sucessivamente.

De um lado a pandemia e o home office permitiram colocar luz sobre o tema da saúde e a necessidade de tratamentos. Por outro lado, porém, a pandemia escancarou a nossa necessidade de reflexão sobre gestão.

Conforme o Relatório “Tendências de Gestão de Pessoas 2021”, da Great Place to Work® Brasil (abaixo), o tema “Criar programas e oferecer benefícios voltados para a Saúde Mental”, aparece em 4º lugar, com 35% dos votos!

Carga horária exagerada de trabalho, relações ruins com colegas e gestores, grande pressão por resultados, assédio moral e falta de espaço para os cuidados já ditos acima, são a origem da questão dentro das organizações. Isso precisa ser tratado. A falta de limites entre o papel profissional e os demais papeis vividos pelas pessoas como, o de mãe/pai, filho/filha, às vezes de pais idosos, só para citar alguns, causa enorme desorganização na vida de todos e nos coloca nessa ciranda doentia.

Essa desorganização decorrente da dificuldade em orquestrar todos os papeis e obter resultados positivos  somado à grande incerteza do cenário –  a evolução de novas cepas do vírus da Covid e o impacto dessa situação na economia e mercado de trabalho aceleram ansiedade e depressão, principalmente. Haja visto os índices crescentes, dessas doenças, apontados pelas pesquisas.

Tudo isso está acontecendo, ao mesmo tempo, num único lugar – a casa de cada um onde, antes era o lugar de conforto e recarga de energias e hoje cede grande parte do espaço à dimensão profissional, ao exercício do trabalho profissional. Isso por si só já muda muita coisa e muda ainda mais quando o trabalho ocorre em uma cultura organizacional envelhecida, baseada no comando e controle e na extrema competição.  E muitas vezes com gestores e líderes despreparados para lidar com tantos novos temas.

É urgente que se coloque essas questões na mesa, senão não há tratamento que funcione. Dessa forma, as empresas vão gastar fortunas com psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, professores de ginástica, coachs e outros profissionais mas, sem o sucesso desejado nos resultados.

É preciso cuidar das duas pontas. A saúde da gestão, da liderança e de uma cultura que já está agonizando. E a saúde das pessoas. Gestão e saúde andam juntas.